AMCHAM – Por que a transformação digital é uma questão mais cultural do que tecnológica?

Imagine se sua empresa não seguisse tendências, padrões de comportamento e necessidades dos usuários: seria muito difícil sobreviver ao longo dos anos. É assim que surge a transformação digital, um conceito que trata do anseio de mudança e adaptação para a sobrevivência das organizações.

Pen, Notebook, Notepad, Diary

Uma boa analogia, publicada por Prakash Iyer na revista Business World, é a da ponte no Rio Choluteca, em Honduras: embora extremamente resistente às condições climáticas, quando o rio mudou seu curso após violentas tempestades, ela passou a não ser mais útil. Sendo assim, Ronan Damasco, National Technology Officer da Microsoft, acredita que o conceito tem muito mais a ver com pessoas do que com tecnologia. “A cultura organizacional tem muito impacto na transformação digital”, afirma.

O executivo, que participou do nosso webinar ‘O caminho para a inovação e transformação digital’, no dia 26/08, acredita que por melhor que a transformação seja planejada, ela acontece através de pessoas, não havendo planejamento que sobreviva caso a cultura não se adapte. Como exemplo, ele cita a famosa frase de Peter Drucker: “A cultura come a estratégia no café da manhã”.

Nossa pesquisa, realizada em tempo real com o público que assistia ao webinar, comprova as afirmações de Ronan: a maioria (69%) acredita que o que mais dificulta a transformação digital nas empresas é a cultura organizacional. “Se trata de uma nova forma de ser da companhia, que envolve cultura, governança, tecnologia e estratégia”, comenta Soraya Bahde, Chief Transformation Officer da Alelo, que também participou do nosso webinar, mediado por João Cerqueira, Diretor Senior Solution Consulting America Latina da Service Now.

O PAPEL DO LÍDER

Em um contexto de transformação digital, o líder é responsável pela visão, engajamento, liderança técnica e governança. Assim, Ronan explica o exemplo da Microsoft: “O líder tem sempre que ouvir. Satya [atual diretor executivo da Microsoft] fala um pouco e passa a maioria do tempo nos ouvindo e faz com que nos sintamos à vontade para falar”. O atual diretor executivo da companhia acredita que a chave para mudança da cultura é o empoderamento do indivíduo.

Para isso, Soraya acredita que as organizações precisam propagar o mindset ágil; fazer uso de design thinking e design sprint; construir novos modelos de gestão; rever símbolos, processos e artefatos de cultura, e oferecer capacitação para que os colaboradores saibam lidar com as mudanças. Ela ainda acrescenta que jornada; processos; projetos; portfólio e agilidade são os pilares da transformação digital, sendo as pessoas; a governança e as tecnologias os facilitadores.

Em um contexto geral, segundo Ronan, a transformação digital se trata de engajar clientes, otimizar operação, transformar produtos e empoderar colaboradores. “Indústrias muito calcadas em tradição acabam ficando para trás, porque hoje o usuário está preocupado com a qualidade de serviço e não com a tradição”, finaliza o executivo.

Fonte: Câmara Americana de Comércio